A ideia é simples: e se você pudesse chegar a pé ou de bicicleta, em no máximo 15 minutos, a tudo que precisa no dia a dia — trabalho, escola, supermercado, parque, médico, farmácia? Esse é o conceito de "cidade de 15 minutos", desenvolvido pelo urbanista franco-colombiano Carlos Moreno e popularizado quando a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, o adotou como política oficial da cidade.
O conceito chegou ao Brasil com força. Em São Paulo, Curitiba e Fortaleza, arquitetos, urbanistas e gestores públicos estão discutindo como adaptar a ideia à realidade das cidades brasileiras — que têm desafios próprios de escala, desigualdade e infraestrutura.
Por que o conceito ressoa agora
A pandemia de Covid-19 foi um catalisador. Com o isolamento, as pessoas redescobriram seus bairros — e muitas perceberam o quanto dependiam de deslocamentos longos para atividades básicas. A experiência de trabalhar de casa também mostrou que a proximidade importa: quem morava perto de parques, mercados e serviços teve uma experiência de isolamento muito diferente de quem morava em bairros dormitório.
"A cidade de 15 minutos não é uma utopia. É uma escolha de planejamento urbano. Significa priorizar a escala humana sobre a escala do automóvel."
— Arq. Luís Henrique Prado, urbanista
O que está acontecendo no Brasil
Em São Paulo, o Plano Diretor de 2023 incorporou princípios de uso misto do solo — que permitem que residências, comércios e serviços coexistam na mesma área — como forma de reduzir deslocamentos. Em Curitiba, cidade já conhecida por seu planejamento urbano inovador, novos projetos de mobilidade estão sendo desenhados com o conceito em mente.
Mas os desafios são imensos. As cidades brasileiras foram construídas em torno do automóvel. A desigualdade socioespacial significa que bairros ricos já têm muito do que o conceito propõe, enquanto bairros pobres carecem de serviços básicos. Implementar a cidade de 15 minutos de forma equitativa exige muito mais do que redesenhar ruas — exige redistribuir investimentos e serviços.
Ainda assim, o conceito está mudando a conversa sobre como queremos que nossas cidades sejam. E isso, por si só, já é uma tendência significativa.